Portugal exportou 155 milhões de euros para Moçambique até Setembro

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2011-11-28
Construção Civil

As exportações portuguesas para Moçambique aumentaram mais de 40 por cento nos primeiros nove meses do ano face ao mesmo período de 2010, ano em que Portugal se tornou no quarto maior fornecedor do mercado moçambicano, revelam dados oficiais.

Segundo estatísticas obtidas pela Lusa junto da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) a propósito da I Cimeira Luso-Moçambicana, que decorre entre segunda e terça-feira em Lisboa, as empresas portuguesas exportaram 155 milhões de euros em produtos entre Janeiro e Setembro, mais 41,1 por cento do que no mesmo período do ano passado.

Para o presidente da Câmara de Comércio Portugal-Moçambique, João Navega, estes números resultam de um crescimento estimado de 8,1 por cento em 2010, tornando a economia moçambicana na segunda da África Austral e Oriental, a seguir ao Ruanda Além disso, "há uma classe média emergente que tem carências de bens de consumo" e os moçambicanos preferem os produtos portugueses aos africanos, explicou.

As exportações portuguesas têm vindo a aumentar consecutivamente nos últimos cinco anos, registando-se um crescimento de 20 por cento entre 2006 e 2010. Aumentou também o número de empresas exportadoras, que eram 1.151 em 2006 e passaram para 1.520 em 2010.

Também as importações de produtos moçambicanos por Portugal aumentaram 39,6 por cento nos primeiros nove meses do ano, face ao período homólogo, atingindo 21,7 milhões de euros. Portugal era, em 2010, o terceiro maior cliente das exportações moçambicanas e o seu quarto maior fornecedor.

Máquinas e aparelhos (33 por cento), metais comuns (11), pastas celulósicas e papel (8,9), produtos alimentares (8,7) e químicos (7,1) eram os principais produtos exportados para Moçambique, enquanto os produtos alimentares (53,6 por cento) e agrícolas (38,1) eram os mais importados.

Quanto ao investimento directo de Portugal em Moçambique, os primeiros nove meses do ano revelam que se investiram 34,2 milhões de euros, enquanto em todo o ano de 2010 o valor foi de 45,9 milhões, mas João Navega desvaloriza esta redução.

"Não se pode concluir que haja uma redução do investimento português", disse o representante empresarial, explicando que pode haver empresas, nomeadamente no sector agro-industrial, que por efeito de uma grande concorrência tenham alienado as suas posições nas sociedades.

No entanto, embora algum desse dinheiro possa regressar a Portugal, uma grande parte é reinvestida em outras actividades "e isso não aparece nos números do investimento estrangeiro" por se tratar de um reforço por parte de empresas que já estão em actividade.

Para João Navega, o quadro geral das relações económicas entre Portugal e Moçambique "é positivo", mas o empresário apela à cautela.

"É importante que os empresários portugueses que vivem momentos difíceis não venham a correr para Moçambique a pensar que se chega com uns trocos no bolso e rapidamente se consegue o que não se conseguiu em Portugal", afirmou.

O representante da CCPM sublinhou que é preciso entrar em Moçambique numa perspectiva de médio/longo prazo: "Se a perspectiva for vir para um sítio onde existem árvores das patacas e é só abanar a árvore, vai correr muito mal", disse.

Fonte: Construir




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