Foi publicada em Diário da República no passado dia 15 de Abril de 2010 a Resolução do Conselho de Ministros n.º 29/2010, que aprovou a «Estratégia Nacional para a Energia 2020», documento que pretende servir de linha de orientação para a política energética nacional dos próximos 10 anos. Em termos gerais, a estratégia definida pelo Governo assenta em duas linhas mestras essenciais: o reforço da aposta que tem vindo a ser feita ao nível das energias renováveis (através de um «Plano Nacional de Acção para as Energias Renováveis»), e um esforço crescente em matéria de promoção da eficiência energética (através de um «Plano Nacional de Acção para a Eficiência Energética»).
Nesta estratégia, o Governo demonstra e refere igualmente o seu empenho no desenvolvimento dos mercados ibéricos do gás natural (MIBGAS) e da electricidade (MIBEL), chegando mesmo a referir-se um esforço no sentido do aumento das interligações entre a Península Ibérica e da França, com vista à futura constituição de um «Mercado do Sudoeste Europeu de Gás Natural».
Ao nível do fornecimento de energia a imóveis habitacionais, os aspectos mais relevantes serão, provavelmente, os relacionados com a energia solar e com a energia geotérmica.
Relativamente à energia solar, considera-se que a mesma tem um grande potencial de desenvolvimento durante a próxima década, salientando-se a respectiva "complementaridade com as restantes energias renováveis, pelo facto de ser gerada às horas de maior consumo". Existirá, igualmente, um reforço da aposta estatal no sector da micro-geração de energia solar.
Quanto à energia geotérmica, cujas tecnologias ainda estão numa fase mais atrasada de desenvolvimento, salientou-se o especial potencial da Região Autónoma dos Açores, e anunciaram-se projectos-piloto para avaliação da viabilidade técnica do desenvolvimento de processos de produção de energia eléctrica com recurso a geotermia de alta entalpia, bem como do aproveitamento da energia associada aos aquíferos e a formações geológicas através de processos baseados no recurso à utilização de geotermia de baixa entalpia.
Por fim, importa ainda referir dois outros projectos-piloto, que criarão duas «smart cities»: Évora, onde serão desenvolvidos projectos relativos ao desenvolvimento e implementação de redes eléctricas inteligentes (cujo desenvolvimento se espera venha a ter efeitos benéficos ao nível da gestão integrada da produção descentralizada de energia, do carregamento de carros eléctricos, da gestão dos consumos e da gestão das operações de rede), e Guimarães, onde serão desenvolvidos e testados novos sistemas de iluminação pública.
Fonte: Construir