Um "encontro recíproco" entre arquitectura e sociedade é o objectivo central da 12.ª edição da Bienal de Veneza, já apresentada em Roma, e que decorrerá de 29 de Agosto a 21 de Novembro, com a participação de 56 países, segundo a EFE.
Foi esta a apresentação feita pela directora da Exposição Internacional de Arquitectura, a japonesa Kazuyo Sejima (Ibaraki, 1956) que, com o sócio Ryue Nishizawa, foi galardoada com o Prémio Pritzker 2010, que lhes será entregue em Nova Iorque no próximo dia 17.
No contexto de "rápida evolução" que caracteriza o século XXI, o objectivo da mostra é "imaginar a direcção em que a sociedade se move e os sonhos que poderão realizar-se no futuro", segundo Sejima.
A exposição reunirá 43 obras realizadas por ateliês, arquitectos, engenheiros e artistas de todo o mundo, além das habituais participações por países, que ficarão patentes nos pavilhões dos Jardins do Arsenal de Veneza e no centro histórico da cidade.
Sejima afirmou que a selecção tentará "contribuir para um encontro recíproco entre as pessoas e a arquitectura, e ajudar as pessoas a relacionar-se entre si".
"Cada participante foi convidado a oferecer uma interpretação pessoal" do tema central desta edição - "People meet in architecture" ("As pessoas encontram-se na arquitetura"), disse Sejima, o que permitirá, na sua opinião, enriquecer a mostra "com uma variedade de olhares, mais do que corresponder a uma visão unívoca".
Para isso, o Palácio de Exposições da Bienal e os jardins do Arsenal terão um percurso expositivo único, no interior do qual o visitante poderá mover-se livremente e quase sempre com luz natural.
Na tentativa de se transformar num forum de reflexão sobre a arquitectura, a Bienal terá actividades paralelas como debates semanais e um projecto de colaboração com universidades italianas e europeias.
"Os sábados da arquitectura" permitirão juntar em debates arquitectos, críticos e personalidades ligadas ao sector, como Vittorio Gregotti (co-autor do Centro Cultural de Belém com Manuel Salgado), Paolo Portoghesi, Aldo Rossi, Francesco Dal Co, Hans Hollein ou Massimiliano Fuksas.
A organização da Bienal pôs em marcha um projecto de colaboração com várias universidades para fomentar trabalhos académicos relacionados com o conteúdo do certame, que poderão ser validados como créditos lectivos pelos estudantes.
Esta iniciativa, segundo o presidente da Bienal de Veneza, Paolo Baratta, permitirá aprofundar a aliança entre a arquitectura a as disciplinas com ela relacionadas, levando a que o certame se transforme num "centro de peregrinação" para docentes e estudantes".
Fonte: Construir